
Foto: Divulga
O segundo dia do evento de apostas BiS SiGMA South America 2026 recebeu um dos debates mais aguardados da programação em 8 de abril. O painel “Cassinos físicos no Brasil: da proposta à prática — Como construir um arcabouço regulatório seguro e economicamente viável?” reuniu autoridades, executivos e especialistas para discutir os desafios e oportunidades da legalização dos cassinos físicos no país.
Participaram do painel Carlos Cardama, cofundador do BiS – Brazilian iGaming Summit, Alex Pariente, fundador e CEO da Consultoria Pariente, Vinicius Lummertz, ex-ministro do Turismo e colunista da Revista EXAME, Fábio Tibéria, vice-presidente Brasil da VBet, e Irajá Silvestre, senador da República.
Durante a abertura, Carlos Cardama destacou o longo período sem regulamentação dos jogos físicos no Brasil e afirmou que o país perdeu oportunidades econômicas importantes ao longo das últimas décadas.
“Nesses 80 anos, nós perdemos um monte de possibilidades de poder fazer um Brasil um pouco mais próspero por tantos empregos, impostos e tudo isso que se perdeu”, declarou Carlos Cardama, cofundador do BiS – Brazilian iGaming Summit.
O moderador também reforçou a expectativa do setor por um marco regulatório mais claro e seguro.
“O tempo mata os negócios. Estamos demorando muito e o Brasil está precisando de impostos, precisando de salários”, afirmou Carlos Cardama.
O que ainda impede a chegada de grandes investidores internacionais ao Brasil?
Ao longo do debate, os participantes apontaram que a previsibilidade regulatória no setor de apostas e segurança jurídica seguem como fatores decisivos para atrair operadores internacionais e investimentos de longo prazo.
Alex Pariente afirmou que o Brasil vive uma transição importante no setor de jogos.
“Brasil neste momento está em uma transição de ser um mercado potencial a ser um mercado de execução”, disse Alex Pariente, fundador e CEO da Consultoria Pariente.
O executivo também alertou sobre a necessidade de alinhamento entre política, regulação e ambiente jurídico.
“O mercado está precisando de um alinhamento entre o vertical jurídico, entre o vertical regulatório e um alinhamento político muito forte”, destacou Alex Pariente.
Na sequência, Vinicius Lummertz relacionou diretamente a legalização dos cassinos físicos ao desenvolvimento do turismo nacional. O ex-ministro afirmou que o Brasil desperdiçou oportunidades econômicas durante décadas.
“Perdemos nesse caso 80 anos. 80 anos de faturamento, impostos não recolhidos, empregos que não existiram”, declarou Vinicius Lummertz, ex-ministro do Turismo.
Ele também criticou o atraso brasileiro em relação a outros mercados internacionais.
“O turismo é uma plataforma econômica. Ele é a medida da vinda das pessoas para um lugar”, afirmou Vinicius Lummertz.
Ainda durante sua participação, o ex-ministro citou modelos internacionais de resorts integrados e defendeu uma regulamentação moderna.
“Uma boa regulamentação deve deixar cassinos, bingo e jogos eletrônicos separados para que problemas em uma área não contaminem as demais”, explicou Vinicius Lummertz.
Representando o setor operacional, Fábio Tibéria afirmou que o investidor internacional busca estabilidade e previsibilidade para operar no país.
“O investidor precisa de segurança. Hoje estamos vivendo, infelizmente, uma insegurança jurídica”, declarou Fábio Tibéria, vice-presidente Brasil da VBet.
O executivo também comentou os impactos do mercado ilegal nas operações regulamentadas.
“Elevar imposto significa alimentar o mercado black”, alertou Fábio Tibéria.
Segundo ele, os resorts integrados exigem investimentos bilionários e planejamento de longo prazo.
“Quando a gente fala de resort, estamos falando de pelo menos um investimento de 2 bilhões”, afirmou Fábio Tibéria.
Senador Irajá defende aprovação do PL dos jogos físicos
Durante o painel, o senador Irajá Silvestre reforçou o otimismo em relação ao avanço do Projeto de Lei 2.234/2022 no Senado Federal.
“Seria uma grande entrega ao país a aprovação da legalização dos jogos responsáveis no Brasil”, declarou Irajá Silvestre, senador da República.
O parlamentar também destacou os possíveis impactos econômicos da regulamentação.
“Estamos falando de uma agenda que gera mais de 1 milhão de novos empregos e mais de 20 bilhões de arrecadação de impostos”, afirmou Irajá Silvestre.
Ao comentar o potencial turístico brasileiro, o senador defendeu a criação de resorts integrados temáticos em diferentes regiões do país.
“Qual outro país tem essa diversidade que nós temos no Brasil, de biomas, de fauna e de flora?”, questionou Irajá Silvestre.
O senador ainda afirmou que continuará trabalhando pela aprovação do projeto no Congresso.
“Nós não vamos descansar enquanto não aprovar esse projeto”, declarou Irajá Silvestre.
No encerramento do painel, Carlos Cardama voltou a defender uma regulamentação específica para os cassinos físicos e ressaltou o impacto econômico da atividade.
“Um cassino é uma fábrica de fazer salários”, afirmou Carlos Cardama.
O painel terminou sob aplausos do público presente no BiS SiGMA South America 2026, consolidando o debate sobre cassinos físicos como um dos principais temas do evento em 2026.











